Com o índice de desemprego cada vez mais elevado no Brasil famílias colocam seus filhos para trabalhar nos mais diversos tipos de ocupações como se isso fosse a solução para sanar seus problemas. Uma questão de sobrevivência? Talvez. Este fenômeno? ... Pra não dizer tragédia. Como ocorre nas propriedades rurais nos mais diversos cantos do meu rincão brasileiro, crianças e adolescentes são colocadas como escravos nas carvoarias, pedreiras e olarias, podendo sofrer lesões, queimaduras e mutilações. Não bastasse a exploração de crianças, o que é gravíssimo, as pessoas que trabalham nas carvoarias muitas não são registradas, não são disponibilizados equipamentos com segurança. Se as condições são as piores possíveis para um adulto, imagine para uma criança. O trabalho INFANTIL visto pelo prisma jurídico brasileiro, está cada vez mais evoluído, no sentido da sua erradicação. Os órgãos de proteção estão empenhados no intuito de melhorar a vida da criança e do adolescente no Brasil. O ordenamento jurídico traz algumas restrições do trabalho infantil e estabelece ser proibido trabalho noturno; insalubre, perigoso e penoso; tem que haver um período de descanso não inferior a onze horas entre duas jornadas de trabalho; garantia da percepção do salário mínimo; vedado o trabalho em locais prejudiciais a sua formação e ao se desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; férias que coincidam com as férias escolares e trabalho não superior a 8 horas diárias. Portanto as crianças e adolescentes que trabalham em carvoarias, olarias, na lida do campo estão em condições extremamente contrárias a Lei vigente. O governo esta tentando mudar esta concepção com a criação de programas como a Bolsa Família, que está sendo de grande ajuda as famílias carentes.
Deus queira que essa praga que mina a formação desses futuros cidadãos se extinga de vez."
"Meninos Carvoeiros"
Os meninos carvoeiros
passam a caminho da cidade.
- Eh, carvoeiro!
E vou tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos,
cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A anunhagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(pela boca da noite vem um velhinha que os recolhe,
dobrando-se com um gemido).
- Eh, carvoeiro!
Só mesmo estas crianças raquíticas
vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincasseis!
- Eh, carvoeiro!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
encarapitados nas alimárias.
Apostando corrida,
dançando, baboleando nas cangalhas como espantalhos
desamparados!
passam a caminho da cidade.
- Eh, carvoeiro!
E vou tocando os animais com um relho enorme.
Os burros são magrinhos e velhos,
cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A anunhagem é toda remendada.
Os carvões caem.
(pela boca da noite vem um velhinha que os recolhe,
dobrando-se com um gemido).
- Eh, carvoeiro!
Só mesmo estas crianças raquíticas
vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles...
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincasseis!
- Eh, carvoeiro!
Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
encarapitados nas alimárias.
Apostando corrida,
dançando, baboleando nas cangalhas como espantalhos
desamparados!
Manoel Bandeira - 1921

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